Tecnologia assistiva para dislexia: o que ajuda a ler e a escrever
Na dislexia, a dificuldade está na leitura e na ortografia, não nas ideias, e é aí que a tecnologia assistiva para dislexia pode ajudar. Muita gente com dislexia explica um projeto inteiro de boca, com clareza, e trava na hora de escrever o mesmo em um email. Este guia é para adultos (no trabalho ou na faculdade) que querem ferramentas práticas, não teoria.
A tecnologia assistiva não cura nada e não substitui avaliação com fonoaudiólogo ou psicopedagogo. Ela tira obstáculos do caminho: um lado ajuda a ler, o outro ajuda a escrever.
Para ler: ouvir o texto e mudar a aparência
- Texto para voz: o Leitor Imersivo do Microsoft Edge e do Word lê a página em voz alta e destaca cada palavra. No celular, o "Falar tela" do iPhone (Ajustes, Acessibilidade, Conteúdo falado) e o "Selecionar para ouvir" do Android fazem o mesmo.
- Fonte e espaçamento: letras maiores, mais espaço entre linhas e entre letras ajudam muita gente. Fontes como OpenDyslexic ou Lexend existem para isso; vale testar qual funciona para você, porque não há uma que sirva para todos.
- Modo leitura: o modo de leitura do Chrome e do Safari tira anúncios e menus e deixa só o texto.
- Fundo colorido: algumas pessoas leem melhor com fundo creme ou cinza claro em vez de branco puro.
Para escrever: tirar a ortografia do caminho
O esforço de lembrar como se escreve cada palavra rouba atenção da ideia. As ferramentas abaixo dividem o trabalho: primeiro a ideia sai, depois se revisa.
- Corretor ortográfico ativo em todo lugar (o do Chrome, o LanguageTool) para pegar trocas de letras.
- Voz para texto: você fala a frase e ela aparece escrita, com a ortografia certa. É a ferramenta que mais muda o rascunho.
- Ouvir o que escreveu: passar o próprio texto pelo leitor em voz alta pega frases quebradas que os olhos não veem.
- Mapas mentais e listas antes do texto longo, para organizar a ordem das ideias.
Um jeito de escrever que funciona
- Fale a ideia inteira, sem parar para corrigir.
- Leia (ou ouça) o rascunho uma vez, só para ver se a ordem faz sentido.
- Corrija nomes e termos que saíram errados. Adicione os que se repetem ao dicionário da ferramenta.
- Passe o corretor no fim, não no meio.
Onde o ditado por voz entra
O usarvoz escreve o que você fala em português, com pontuação e sem os "hum". A ortografia vem pronta, e você pode revisar com calma depois. Funciona no computador e no celular:
- Chrome (Windows, Mac, Chromebook): a extensão coloca um botão azul de microfone em qualquer campo (Gmail, Google Docs, sistema da faculdade). Clique ou aperte Alt+Shift+V, fale, clique de novo.
- iPhone: o teclado usarvoz tem uma tecla de microfone. Abra uma sessão de ditado no app (15 minutos, 1 hora ou o dia todo) e ela funciona em qualquer app.
- Android: uma bolha com microfone fica por cima de qualquer app, e você continua com o seu teclado.
Palavras do seu trabalho ou curso que saem erradas vão no dicionário da conta (até 500). Depois disso, saem escritas certo.
Fale o próximo texto em vez de digitar. 30 minutos grátis, sem cartão.
Testar grátisPerguntas frequentes
Ditado por voz é "trapaça" para quem tem dislexia?
Não. É uma forma de tirar a ortografia do caminho das ideias, como os óculos tiram o problema de enxergar. O texto e as ideias continuam sendo seus.
Qual a melhor fonte para dislexia?
Não existe uma única. Teste OpenDyslexic, Lexend e fontes simples como Arial ou Verdana em tamanho maior, e fique com a que cansa menos.
O usarvoz lê o texto em voz alta?
Não. Ele faz o caminho contrário: transforma a sua fala em texto. Para ouvir, use o Leitor Imersivo ou o leitor de tela do celular.