Ditado médico em português: o que os médicos usam e o que funciona
Um médico passa boa parte da consulta e da urgência a escrever: história clínica, diário clínico, notas de alta, relatórios, atestados, pedidos de exames, referenciações. Cada minuto ao teclado é um minuto a olhar para o ecrã em vez de para o doente.
Este artigo mostra o que existe em ditado médico, o que avaliar antes de escolher e como usar o ditado em português europeu no processo clínico.
Os registos que mais pesam
- História clínica e exame objectivo na primeira consulta, muitas vezes em formato SOAP.
- Diário clínico dos internados, que se repete com pequenas mudanças.
- Relatórios de imagiologia, anatomia patológica e exames funcionais: texto longo, estruturado, com vocabulário fixo.
- Notas de alta e relatórios para juntas médicas, seguradoras ou escolas.
- Atestados, receitas e referenciações: curtos, mas muitos por dia.
O que existe e como avaliar
O Dragon Medical é a referência mundial do ditado médico, forte em inglês. Os escribas de IA que ouvem a consulta e geram a nota estão a crescer, mas muitos foram feitos para o inglês e para outros sistemas de saúde. Alguns sistemas clínicos usados em Portugal já trazem ditado próprio.
- Onde corre: dentro do sistema clínico, no browser, no telemóvel? Se o processo clínico é web, uma ferramenta que funcione em qualquer caixa do browser evita mudar de janela.
- Português europeu a sério: testa com os termos que usas (fármacos, siglas, epónimos). Se der para ensinar palavras, melhor.
- Dados sensíveis: o áudio fica guardado? O texto vai para um servidor? Há uso para treino? O RGPD trata dados de saúde como categoria especial.
- Revisão: nenhuma ferramenta tira ao médico a responsabilidade pelo que assina. Revê sempre doses, lateralidade e valores.
Como ditar bem uma nota clínica
- Fala por blocos, pela ordem do SOAP. Entre um bloco e outro, diz novo parágrafo e o texto muda de parágrafo.
- Diz as siglas como queres que saiam e põe as mais usadas no dicionário.
- Números, doses e unidades: fala devagar e confirma no texto antes de gravar.
- Se a política do serviço o pedir, evita ditar dados identificativos com o doente ao lado.
Onde o ditado por voz entra
O usarvoz escreve em qualquer caixa de texto do Chrome, por isso funciona no processo clínico web, no Google Docs e no email. O áudio é apagado depois da transcrição, o texto não fica guardado no servidor salvo se activares o histórico, e nada é usado para treino. Não é um escriba que ouve a consulta: escreve o que tu ditas.
- Instala a extensão do usarvoz no Chrome e entra com o teu email (código de 6 dígitos).
- Em /conta.html, junta ao dicionário os fármacos, siglas e nomes que mais usas (até 500 palavras).
- No processo clínico, clica na caixa do diário e carrega em Alt+Shift+V.
- Fala: "doente refere lombalgia há três dias piora ao sentar". Sai escrito: "Doente refere lombalgia há três dias. Piora ao sentar." Regra: fala como falas: o usarvoz pontua sozinho; se disseres a pontuação, respeita-a. A pré-visualização aparece enquanto falas.
- Carrega outra vez e o texto entra na caixa. Confirma doses e valores antes de gravar.
- Sem computador à mão, usa a bolha no Android ou o teclado usarvoz no iPhone, com uma Sessão de ditado ligada.
Experimenta ditar o próximo diário clínico. 30 minutos grátis, sem cartão.
Experimentar grátisPerguntas frequentes
O usarvoz tem vocabulário médico?
Reconhece português corrente e tu ensinas os termos do teu dia-a-dia pelo dicionário da conta, com até 500 palavras.
Grava a consulta e escreve a nota sozinho?
Não. O usarvoz escreve o que dizes, quando carregas no botão. Não transcreve reuniões nem ficheiros de áudio.
Quanto custa?
30 minutos gratuitos, sem cartão. O Pro custa 5,99 € por mês com 8 horas de ditado.